O que é
O cooperativismo é uma forma de empreender de maneira conjunta, reunindo pessoas para atuar em diferentes áreas da economia — como transporte (nosso caso), agricultura, saúde, finanças, educação, energia, consumo, turismo, entre muitos outros segmentos.
Esse modelo impulsiona o chamado ciclo virtuoso do desenvolvimento: indivíduos se unem em torno de um propósito comum, evoluem coletivamente e, com isso, impulsionam a geração de trabalho e renda. A economia local se fortalece, surge maior capacidade de consumo e todos os envolvidos — cooperados, negócios e comunidade — colhem os frutos desse crescimento.
Esse processo acontece por meio das cooperativas, que são organizações econômicas formadas por pessoas com objetivos compartilhados e conduzidas por uma gestão participativa. Nelas, os próprios associados são proprietários do empreendimento e os resultados obtidos — chamados de sobras — podem ser distribuídos entre os membros ou aplicados novamente na própria cooperatuva. São empresas competitivas, financeiramente sólidas e reconhecidas por priorizar o bem-estar das pessoas.
Como funciona
As cooperativas são formadas por pessoas que compartilham interesses econômicos semelhantes e se organizam de maneira estruturada e participativa. Essa organização democrática é o que direciona toda a atuação da cooperativa.
Decisões coletivas
Dentro de uma cooperativa, as principais escolhas são feitas de forma conjunta, durante assembleias democráticas. Cada cooperado tem direito a voto, e prevalece a decisão da maioria. A Assembleia Geral acontece uma vez por ano, enquanto reuniões extraordinárias são convocadas conforme as necessidades surgem.
Direcionamento estratégico
A definição das estratégias e do posicionamento da cooperativa no mercado fica sob responsabilidade do Conselho de Administração ou da Diretoria. Esse grupo, eleito pelos cooperados durante a Assembleia Geral, normalmente é composto de cinco a onze integrantes.
Transparência na gestão
Para assegurar clareza e responsabilidade nas ações da administração, é instituído um Conselho Fiscal. Ele supervisiona as práticas da gestão e protege os interesses de todos os cooperados.
Decisões operacionais
As questões do dia a dia — como contratações e atividades administrativas — ficam a cargo da gestão diretora. Essa estrutura geralmente inclui a presidência, e demais diretores.
Valores e princípios
Todo o funcionamento de uma cooperativa se apoia em princípios éticos e valores que reforçam uma maneira sustentável e responsável de conduzir os negócios.
Os 7 princípios que orientam as cooperativas
As cooperativas seguem sete pilares essenciais, que norteiam sua atuação e reforçam sua identidade:
Adesão voluntária
Qualquer pessoa que atenda aos requisitos da cooperativa pode se juntar a ela de forma espontânea, sem discriminação.
Gestão democrática
As decisões são tomadas coletivamente, com participação ativa dos membros e voto igualitário.
Participaçãp econômica dos cooperados
Todos contribuem para o capital da cooperativa e participam dos resultados de maneira equilibrada.
Autonomia e Independência
A cooperativa é uma organização autônoma, controlada pelos próprios associados, que decidem seus rumos.
Educação, formação e informação
A cooperativa investe no desenvolvimento dos cooperados, oferecendo acesso a conhecimento e capacitação.
Intercooperação
Cooperativas colaboram entre si para fortalecer o movimento e gerar mais benefícios para seus membros.
Compromisso com a comunidade
As ações da cooperativa visam promover melhorias sociais, econômicas e ambientais no entorno.
Como modelo econômico sustentável, o cooperativismo responde às demandas de um mundo que busca empresas capazes de gerar impactos sociais e econômicos positivos.
A lógica é simples: quando pessoas com os mesmos interesses se unem, alcançam resultados que dificilmente conseguiriam de forma isolada — e toda a sociedade se beneficia dessa união.
A história desse movimento começou em 1844, na Inglaterra. Um grupo de trabalhadores, enfrentando dificuldades para adquirir produtos básicos, percebeu que comprar em conjunto permitia obter preços mais justos. A partir dessa iniciativa, estabeleceram princípios de igualdade, transparência e colaboração, que deram origem ao cooperativismo moderno.
A história do cooperativismo
À brasileira
A ideia de cooperação já fazia parte da realidade brasileira desde o período colonial. Diversos grupos — como servidores públicos, militares, profissionais liberais, trabalhadores e imigrantes europeus — impulsionaram práticas de ajuda mútua que mais tarde se consolidariam no cooperativismo.
O marco oficial desse movimento no país ocorreu em 1876, no Rio de Janeiro. Na época, a Princesa Isabel, atuando como Regente do Império, autorizou o funcionamento da Companhia – Cooperativa de Consumo e aprovou seus estatutos, conforme parecer do Conselho de Estado. Esse ato é considerado o início formal do cooperativismo no Brasil.
A partir daí, novas cooperativas surgiram em Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul, expandindo o modelo no país.
1844 — Onde tudo começou
Com a Revolução Industrial, muitos trabalhadores ingleses passaram a enfrentar grande dificuldade para comprar produtos essenciais. Em resposta a essa realidade, 28 operários de Rochdale, na Inglaterra, criaram seu próprio armazém para adquirir bens de forma coletiva e com preços mais justos. Assim nasceu a primeira cooperativa moderna, inaugurando o cooperativismo tal como conhecemos hoje.
1902 — A mais antiga em funcionamento
No Brasil, a primeira cooperativa de crédito surgiu em 1902, fundada pelo padre suíço Theodor Amstad. Nascia a Sicredi Pioneira, que permanece ativa até os dias atuais.
1906 — A força da cultura agrícola
A partir de 1906, começaram a se formar as cooperativas agropecuárias, idealizadas por produtores rurais e imigrantes — especialmente descendentes de alemães e italianos — que trouxeram consigo forte tradição cooperativista.
1971 — Marco jurídico
Com a Lei 5.764/71, o cooperativismo ganhou um regime jurídico próprio, definindo diretrizes para a criação e funcionamento dessas organizações. Embora a lei trouxesse algumas limitações, grande parte delas foi superada com a Constituição de 1988.
1995 — Reconhecimento internacional
Em 1995, o Brasil ganhou destaque mundial quando Roberto Rodrigues, ex-presidente da OCB, assumiu a presidência da Aliança Cooperativista Internacional (ACI), fortalecendo a presença brasileira no cenário global.
2005 — Representação sindical
A criação da Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop), em 2005, estruturou a defesa sindical das cooperativas. A entidade coordena o Sistema Sindical Cooperativista com o apoio de federações e sindicatos do setor.
Atualmente — O futuro em construção
Ao entrar no século XXI, o cooperativismo brasileiro assumiu um grande desafio: ampliar seu reconhecimento público e reforçar sua imagem como um modelo íntegro, competitivo e capaz de promover bem-estar e desenvolvimento para as pessoas.
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